De Brasa e Pólvora –
Zonas Incendiárias, Panfletos poéticos

O projeto investigou as esferas das relações entre insurreição racial, repressão histórica e racismo contemporâneo, visando entender os movimentos subversivos da população negra, que atuaram de forma transformadora nas relações de sociabilidade racial, confrontados com o movimento conservador de contrarrevolução e os papéis sociais e mitos que garantem a manutenção de valores do nosso passado escravista.

O projeto partiu da investigação sobre as evoluções locais e revoluções políticas latino-americanas a partir dos levantes negros no Brasil e no Caribe, tendo em vista a construção imaginária de uma revolução poética a favor da abolição do racismo. O espetáculo “Alguma coisa a ver com uma missão” é a última etapa do projeto “De Brasa e Pólvora – Zonas Incendiárias, panfletos poéticos”, uma criação livremente inspirada no texto “Lembrança de uma revolução: A Missão” de Heiner Müller, dando continuidade à pesquisa da Cia sobre essa obra.

Todo o projeto buscou intervir no cotidiano da cidade, dialogando com o espaço público. No início desse processo de pesquisa a Cia apresentou, em diferentes locais da Cidade, as intervenções “Ninhos e Revides – Mirando o Haiti” e “De Brasa e Pólvora”, que resultaram na montagem de “Alguma coisa a ver com uma missão”.

Sinopse

“Alguma coisa a ver com uma missão” leva o público a conhecer uma história de lutas negras por liberdade. Duas mulheres – Uma auxiliar de enfermagem e uma gari – são convocadas, através de sonho, a viajar no tempo pelas águas da Calunga (palavra banto que significa mar, oceano e grande cemitério). Elas fazem o trajeto guiadas por uma barqueira que lhes transmite uma missão. Cada parada no percurso é um enigma que as personagens devem desvendar para cumprir seus destinos. Por intermédio desta alegoria, Os Crespos transportam o público para uma viagem que remonta as revoltas e os levantes negros responsáveis por nossa liberdade e símbolos da resistência de um povo.

O espetáculo se inspira na musicalidade banto para criar músicas próprias, além de fazer arranjos para alguns vissungos originais. Os músicos acompanham o público e os atores em todo o trajeto.

Ficha Técnica

Direção Coletiva – Os Crespos

Atores Criadores – Lucélia Sergio, Sidney Santiago Kuanza, Dani Nega, Dani Rocha, Joyce Barbosa e William Simplício

Orientação de direção – José Fernando de Azevedo e Kenia Dias

Dramaturgia – Allan da Rosa e Os Crespos

Direção Musical: Giovani Di Ganzá

Músicos: Gisah Silva e Giovani Di ganzá

Musicas Criadas: Giovani Di ganzá, KáNêga Santos e Lucelia Sergio

Direção de Arte – Maya Mascarenhas

Assistente de direção de arte – Gui Funari

Cenotécnico – Wanderley Wagner da Silva

Adereços – Cleydson  Catarina

Iluminador – Edu Luz

Contrarregras – Rogério Aparecido e Frederico Peixoto de Azevedo

Orientação de criação e assistência de direção – Lena Roque

Preparação Musical – Mauá Martins

Preparação Corporal – Alexandre Paulain/ James Turpin/ Dagoberto Feliz/ Inês Aranha

Preparação Teórica – Allan da Rosa, Saloma Salomão e Marc Pierre

Direção de Vídeo: Cibele Apes e Edu Luz

Colaborações de Dramaturgia no processo – Christian Moura

Designer Gráfico – Rodrigo Kenan

Fotografia – Roniel Felipe