Dos Desmanches aos Sonhos

DOS DESMANCHES AOS SONHOS é uma trilogia de espetáculos composta pelas peças “ALÉM DO PONTO”, “ENGRAVIDEI, PARI CAVALOS E APRENDI A VOAR SEM ASAS” e “CARTAS À MADAME SATÃ OU ME DESESPERO SEM NOTÍCIAS SUAS”, que investiga as relações entre afetividade, Negritude, gênero e o impacto da escravidão na nossa maneira de amar.

A trilogia “Dos Desmanches Aos Sonhos” foi criada pelos Crespos desde janeiro de 2011 sendo concluída em julho de 2014.  Em cada um dos espetáculos, o grupo abordou a temática da afetividade negra a partir de uma perspectiva diferente. No primeiro, a pesquisa investigou as questões de casais heterossexuais, tentando entender suas dificuldades no amor. No segundo, a Cia. pesquisou sobre a afetividade de mulheres negras, sua relação com a família, a alteridade e o sexo. Já no último trabalho, o mote era a homoafetividade.

Os espetáculos foram construídos a partir de entrevistas com pessoas na cidade de São Paulo, e os vídeos coletados ganham a cena nas peças. Também fizeram parte da pesquisa diversos materiais teóricos que nortearam a construção das cenas.

A pesquisa articulou a experiência existencial do negro a partir de sua afetividade. Na construção de uma fala plural, que explorou as diferentes relações com o corpo, alteridade, família, sexo, marginalidade, beleza, valorização. Nos espetáculos da trilogia, são questionados os papéis fixos que circulam recorrentemente e alimentam o sistema de dominação, na busca por uma “existência imaginada”, que atenda, também, às necessidades emocionais dessas pessoas. Pois, no processo de resistência coletiva da população negra, a saúde emocional é tão importante quanto a luta contra o segregacionismo e a luta pelas necessidades materiais. Essas experiências devem estar interligadas para um verdadeiro desenvolvimento na construção da identidade do negro.

E foi nesse caminho que o grupo mergulhou na criação cênica de um discurso que possibilitasse a reflexão sobre uma nova imagem do corpo negro e as relações dela advindas. Escavar no lugar mais privado das pessoas negras um retrato que ao mesmo tempo mostre suas dores e revele seus sonhos. “Dos Desmanches aos Sonhos”.

Sinopse dos espetáculos

Além do Ponto

Um casal heterossexual, em separação, move-se entre pedaços de histórias e tenta reconhecer, ao final do relacionamento, os motivos de suas dificuldades no amor.

Através de um jogo que envolve inclusive a improvisação premeditada dos atores, a história pregressa de cada personagem é revisitada, quando, depois de algum tempo separados, o casal se reencontra, a mala das recordações é aberta e, um a um, os nós da dor começam a ser desfeitos.

Ao final de nove encontros e diante do questionamento sobre um “final feliz”, a história perde seu caráter privado e passa a ser uma tarefa coletiva, onde os atores abrem a obra a um final diferente, escolhido pelo público, a cada dia.

O cenário reproduz um apartamento em que, móveis amontoados, utensílios domésticos, caixas no chão, livros e discos espalhados, tudo está prestes a ser dividido e transformado.

A trilha sonora é executada ao vivo pela DJ, que também atua como um cupido urbano na história.

Ficha Técnica

Direção: José Fernando de Azevedo

Atores: Sidney Santiago Kuanza, Lucelia Sergio e Dani Nega

Dramaturgia : José Fernando de Azevedo e Os Crespos

Assistência de Direção: Ricardo Henrique

Trilha sonora e execução: Dani Nega

Direção de Arte: Antonio Vanfill

Iluminação: Mauro Júnior e Edu Luz

Operação de luz: Edu Luz

Contrarregragem: Rogério Aparecido

Edição de Vídeo: Mario Matiello

Fotos: Roniel Felipe

Canções compostas: “E se não for”, “Noves fora” – Letra: José Fernando de Azevedo / Música: Ricardo Henrique; “Horas” – A partir de poema de Negra Anastácia por Kabila Aruanda / Música: Ricardo Henrique. Todos os Arranjos: Dani Nega.

Engravidei, Pari Cavalos e Aprendi a Voar Sem Asas

Em cena, a privacidade de cinco mulheres negras é flagrada quando expõem suas trajetórias afetivas, permitindo ao público entrar em seus respectivos cotidianos. Elas tentam enxergar e modificar seus destinos, como lagartas aprendendo a voar. Revelando seus medos, dores, amores e sonhos.

Em um jogo, no qual a plateia acompanha a transformação da atriz em diferentes personagens, a peça cruza fragmentos de vidas, sem necessariamente confrontá-las, entregando para o público a linha que costura seus caminhos.

A trilha sonora, executada por uma DJ, conta ainda com músicas compostas para as personagens.

Ficha Técnica

Direção – Lucelia Sergio e Sidney Santiago Kuanza

Atriz – Lucelia Sergio

Texto – Cidinha da Silva

Dramaturgia – Cidinha da Silva e Os Crespos

Colaboração Criativa de direção – Aysha Nascimento

Atrizes colaboradoras do processo de criação – Dani Nega, Dani Rocha, Darília Lilbé, Dirce Thomaz, Maria Dirce Couto, Nádia Bittencourt

Direção de arte – Mayara Mascarenhas

Iluminação – Edu Luz

Músicas Compostas – Miriam Bezerra: “O Tempo Não Estanca”,  “Quando o Carnaval Chegar”;

Darlene:“O que é o amor depois da dor?”

Trilha sonora – Dani Nega

Direção de Vídeo – Renata Martins

Assistentes de Vídeo – Jéssica Gonçalves e Karina Galdino

Orientação Teórica – Flávia Rios

Preparadora Corporal – Janette Santiago

Preparador Vocal – Frederico Santiago

Colaboradoras de estudos teóricos – Jackeline Romio, Valéria Alves, e Clelia Prestes

Operador de Luz e mapping – Edu Luz

Operadora de Som – Dani Nega

contrarregra – Rogério Santos

Cartas à Madame Satã ou Me Desespero Sem Notícias Suas

Em seu quarto, um homem negro se corresponde com a figura mítica de Madame Satã. Fragmentos de histórias revelam, através das cartas, trajetórias e casos de amor, numa cidade-país carregada de doenças, que mantém sob cárcere privado um jovem apaixonado.

A personagem, em tom confessional, mescla a força do gesto com a delicadeza no discurso, buscando a cumplicidade do espectador para tornar público uma afetividade cercada de tabus.

O ator por vezes brinca com a plateia, outras, conversa olhando nos olhos do público.

A peça é entrecortada por manifestos poéticos, através dos quais a encenação brinca com estereótipos e expõe diretamente questões políticas.

O monólogo é todo costurado por sambas que dialogam com a figura de Madame Satã e com um arquétipo negro por essa figura reconstruído.

Ficha Técnica

Direção – Lucelia Sergio

Ator Criador – Sidney Santiago Kuanza

Texto – José Fernando de Azevedo

Dramaturgia – José Fernando de Azevedo e Os Crespos

Atores Colaboradores – Vitor Bassi, Luís Navarro e Sírius Amen

Diretor de Arte – Antônio Vanfill

Iluminador – Will Damas

Diretora Musical – Dani Nega

Diretora de Vídeo – Renata Martins

Preparadora Corporal – Janette Santiago

Preparador Vocal – Frederico Santiago

Assistente de Direção – Daniel Aureliano

Colaborador de direção no Processo Criativo – Eugênio Lima

Orientador Teórico – Matheus Gato

Colaborador Teórico – Alex Ratts

Técnico de Luz: Edu Luz

Técnico de Vídeo: Edu Luz

Designer Gráfico – Rodrigo Kenan

Fotógrafos – Roniel Felipe, Ana Paula Leonc e Pablo Rodrigues

Operador de Luz – Edu Luz

Operadora de Som – Dani nega

Contrarregra – Rogério Aparecido